Centro de Saúde
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Orientámo-nos por simples linhas condutoras para a elaboração desta proposta. A criação de uma instalação de saúde pública funcional, prática, e economicamente e ambientalmente responsável, mas que em simultâneo oferecesse aos utilizadores e população envolvente um elemento agregador e capaz de oferecer bem-estar.

Logo à partida existiram objetivos a cumprir que ajudariam a conceção de uma ideia base, que servisse de mote para um desenvolvimento, como a preservação das duas oliveiras presentes no terreno, ou até mesmo a ligação visual ao Rio Tejo.

Mas esta proposta representa uma resposta que foi muito mais além disso, contando com uma multidisciplinar equipa projetista, procurámos entender as verdadeiras necessidades, tanto do local, como da Unidade de Saúde que aí será construída.

Procurando aprofundar conhecimentos com uma base real, realizámos diversas visitas a diferentes Unidades de Saúde, afim de melhor entender as carências programáticas de outros exemplos já existentes. Recebemos apoio de pessoal de secretariado, auxiliar, Enfermeiro e Médico, o que nos permitiu reajustar certos aspetos do programa, de acordo com a experiência real e vivida destes profissionais de saúde.

O local de implantação da proposta apresenta vários problemas ao nível das áreas existentes, das relações funcionais entre os diferentes espaços, serviços, das circulações públicas e de serviços, os quais podem condicionar, e criar um desaproveitamento por parte da população. O bairro Pirescoxe apresenta-se como tantos outros bairros de génese problemática, onde reitera uma linguagem arquitetónica incaracterística, bem como uma carência ao nível de serviços públicos e espaços públicos qualificados.

Procurou-se que na inserção do edifício, na sua relação com a envolvente urbana próxima, o edifício da Unidade de Saúde de Santa Iria de Azóia constitua um elemento estruturante do tecido urbano, marcado por uma imagem com uma identificação arquitetónica clara e contemporânea, tornando-se um forte polo de referência urbano.

No desenho do edifício, para além das questões funcionais e programáticas de primeira importância que determinam a sua organização interna espacial, procurou-se que dentro das condicionantes de área construível, os espaços resultantes fossem significantes, atribuindo-lhes dimensões arquitetónicas que estão para além das meras dimensões funcionais, permitindo que a leitura do espaço interior do edifício acentue o seu carácter de edifício público, mas dotando-o de grande flexibilidade espacial, e de uma clara leitura das respetivas áreas funcionais, apresentando espaços de fácil fruição e excelente organização, garantindo mobilidade e acessibilidade em todo o interior e exterior do edifício.

Para reforçar uma ligação visual com o rio Tejo, orientou-se o edifício nesse sentido, modelando-se o terreno e elevando a cota do espaço público, garantido essa continuidade visual que tanto beneficiará a permanência da população, mesmo sem que esta, necessite obrigatoriamente de cuidados de saúde.

Espelhando o mesmo conceito de “espaço público” para o interior da proposta, optámos pela continuidade do “verde”, mas neste caso, a uma cota inferior coincidente com o programa. A criação de pátios interiores proporciona aos utilizadores uma generosa e controlada iluminação natural, bem como uma continuidade espacial das zonas de espera, permitindo diferentes utilizações dos mesmos espaços.

 

powered by cismeios