Tomb of Tomorrow Competition
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O objectivo do concurso era criar um túmulo para uma ou mais pessoas que, de alguma forma, causaram impacto na humanidade. A escolha seria totalmente livre e a proposta conceptual deveria captar a verdadeira essência da pessoa, na forma arquitectónica.

A nossa escolha recaiu sobre Jim Morrison, vocalista dos The Doors, uma das mais icónicas figuras do mundo da música. Jim Morrison era um personagem complexo, invadido por heterónimos que tinham as suas próprias perspectivas de vida, e tudo o que criou fez dele um dos maiores e mais influentes indivíduos da cultura Rock, cercando-o com uma mística que viaja até hoje.

Para Jim, tudo começou quando, em criança, ele testemunhou um terrível acidente de carro no deserto. Naquele acidente, um velho nativo-americano morreu e, a partir daquele dia, Jim teve a certeza de que o espírito selvagem daquele homem estava ligado a ele.

A partir daí, Jim Morrison criou uma enorme conexão com o deserto, a sua beleza, o isolamento, a falta de vida. Sabe-se que Jim costumava fazer viagens ao Deserto de Mojave (Califórnia) para experimentar ácidos e peiote e para tentar algum tipo de meditação e iluminação. Por isso, é muito claro que em termos de conexão pessoa/local, nenhum outro lugar faça mais sentido quando falamos em Jim Morrison.

Jim era uma pessoa multicultural. Ele poderia ter sentimentos muito terrestres e, logo a seguir, viajar na sua mente através do cosmos. Assim, o memorial em sua honra deve representá-lo no seu todo, incluindo os aspectos mais complexos.

Tendo isso em consideração, esta proposta conceptual procura demonstrar que a ideia incorpora uma separação entre realidades, que a sua música e poesia por norma retratam.

Nesta linha de pensamento, criámos uma linha fina e suave, que separa a nossa realidade do interior do memorial. Essa linha de aço corten é interrompida com o passar do tempo, criando a ilusão de infinito. Na parede, na entrada do memorial, está a frase de William Blake que deu o nome aos The Doors - "If the doors of perception were cleansed everything would appear to man, as it is, Infinite."

Dentro do memorial sente-se uma grande conexão com o deserto, assim como Jim Morrison gostaria. A peça central desta proposta é o memorial: um círculo limpo e aberto que permite aos visitantes respeitar o espírito de Jim. O círculo passa tangente aos limites da proposta, abrindo-se numa janela que está alinhada com um espelho, no centro do memorial, e que representa a conexão de Jim com a Terra e o universo.

À volta do memorial, cuidadosamente escondido com o propósito de não perturbar o mesmo, está o resto do programa para entender melhor a vida de Jim: sala de vídeo que passa filmes relacionados com a sua vida; sala de áudio onde os visitantes podem ouvir as suas gravações e conversas; sala do poeta que permite ver os seus livros e publicações; sala de música que mostra a sua vida enquanto rockstar; e biblioteca, que apresenta uma galeria de livros dedicados aos aficcionados da poesia.

Tentando manter o lugar intocado, a proposta é revestida com painéis espelhados, tornando a paisagem do deserto contínua e infinita.
 


 

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